Como inovar na sua empresa

Resolvemos problemas através da inovação.

Inovação: processo estruturado

Muito se fala hoje de empreendedorismo. Com a crise económica e financeira nos últimos anos e o crescimento do digital, muitos foram os novos negócios surgidos entretanto pela mão de empreendedores. Independentemente da sua área de formação ou do setor onde investem profissionalmente, o que todos os empreendedores de sucesso têm em comum é a prática sistémica da inovação.

Existem muitas definições ou interpretações do que é a inovação. Eu defendo, por exemplo, que se trata de uma função do empreendedorismo, quer seja numa empresa existente, numa organização de serviço público ou um qualquer novo negócio criado por um cidadão comum. O que têm em comum é sempre a criação de valor.

 

Mas como surge a inovação?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a inovação não surge normalmente através de gestos ou atos individuais de genialidade. Ela acontece através de processos estruturados compostos por várias etapas que estão estudadas e devem ser seguidas para aumentar a probabilidade de sucesso. Segundo Peter Drucker são quatro as principais fontes de inovação numa empresa ou organização: ocorrências inesperadas, incongruências, necessidades de processo e alterações na indústria e mercado. Existem depois ainda três fontes externas adicionais: mudanças demográficas, mudanças de perceção e novo conhecimento.

Para ser verdadeiramente eficaz e valiosa, uma inovação deve ser simples e focada em algo concreto. Caso contrário causará confusão e uma falsa perceção no público a que se destina. O grau e sucesso da inovação ninguém pode antecipar até ser testada no mercado. Mas toda e qualquer inovação deve ter a ambição de ser uma referência ou agitar o setor onde atua.

A inovação é por isso muito mais trabalho do que simples criatividade ou talento. Para acontecer ela necessita de conhecimento, metodologias e processos estruturados de gestão. E claro muita perseverança, coragem e ousadia.

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Portugal no top 10 dos mercados com mais condições para o empreendedorismo no feminino

 

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O Dia da Mulher pode já ter passado, mas os resultados do Index da Mastercard sobre mulheres empreendedoras deixam o que pensar, independentemente de ser dia deles ou delas. Refere este trabalho, quase sem surpresas, que é nos países mais desenvolvidos que as mulheres mais prosperam, destacando-se Portugal como um dos mercados onde são mais fortes os apoios e oportunidades para que elas possam prosperar enquanto empresárias.

Numa lista de 57 mercados espalhados por todo o mundo, o nosso país surge em 6º lugar, num ranking liderado pela Nova Zelândia, Suécia e Canadá e volta a ter um lugar no top 10 quando se avalia a percentagem de mulheres na liderança de empresas (28,7%).

Apesar das diferenças entre nações, o Índice confirma, no geral, que as mulheres continuam a progredir quando se trata de criar o seu próprio negócio, ainda que, culturalmente, continuem a manter-se alguns obstáculos que as impedem de promover os seus negócios.

“As mulheres empresárias fizeram avanços notáveis ​​como proprietárias de empresas em todo o mundo, mesmo as que continuam a trabalhar para alcançar o seu potencial”, afirma Martina Hund-Mejean, Diretora Financeira da Mastercard.

Ameaça a combater no mundo dos negócios

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Felipe Ost Scherer é sócio da Innoscience, uma empresa de consultoria de Gestão da Inovação. Autor de vários livros, é especialista em administração de empresas e sabe bem do que fala quando se refere ao mundo dos negócios e da inovação. Neste texto, publicado no portal de notícia Exclusivo e que aqui reproduzimos, partilha o entusiasmo com a transformação digital, ainda que receoso sobre os atrasos de alguns setores, que tardam a apanhar o ‘comboio’ da digitalização.

“Recentemente tivemos a grata notícia que mais uma startup brasileira entrou na lista das chamadas empresas unicórnios. Depois de nova rodada de investimento, o Nubank foi avaliado em mais de 1 bilião de dólares. Um marco importante para todo mercado de finitechs no Brasil.

O Nubank é mais um caso importante que retrata a mudança que muitos mercados estão enfrentando. A chamada digitalização da economia permite que uma empresa que opera exclusivamente no mercado on-line possa conquistar mais de 13 milhões de clientes em quatro anos em um mercado dominado por players gigante há muito tempo. A tendência da digitalização e transformação digital dos negócios é um caminho sem volta que também impactará o mercado de calçados no mundo.

Os programas de inovação no setor têm buscado inovações incrementais e atingido sucesso nesse sentido. Novos produtos têm sido lançados, materiais e processos com melhor desempenho também. Novos equipamentos e processos mais automatizados estão sendo incorporados gradualmente. Entretanto, o setor parece ainda não ter despertado para construir uma nova indústria em que a inovação é o motor de desenvolvimento.

Novos modelos de negócios e tecnologias disruptivas parecem elementos muitos distantes da maioria dos empresários. Para fazer projetos radicais é preciso clareza do que se está buscando e aceitar os riscos inerentes. Algumas estratégias de sucesso de outras indústrias podem servir de inspiração para o setor.

A primeira é ter pessoas dedicadas para isso. Digo 100% dedicadas, alocando seu tempo integralmente no desenvolvimento das iniciativas inovadoras radicais. Uma das grandes dificuldades é a falta de execução de projetos que rompem com os modelos vigentes. Deixar para inovar quando sobra tempo na agenda significa pouca inovação na prática.

A segunda inspiração é a conexão organizada com startups de tecnologia. Muitas vezes é preciso buscar fora das fronteiras das empresas as respostas. O ecossistema brasileiro de empreendedorismo tem produzido mais e melhores startups para resolver problemas importantes do setor ou mesmo testar novos modelos de venda e experiência dos consumidores.

A nova economia trará muitas mudanças para a economia mundial. Se nos anteciparmos poderemos capturar as oportunidades desta nova era. Fazendo isso de maneira organizada, nossas chances de sucesso serão muito maiores.”

HydrUStent, o dispositivo biodegradável que elimina a necessidade de uma nova cirurgia

 

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É de uma empresa portuguesa que vem a ideia de melhorar a vida dos doentes com pedras no rins e dos médicos que os tratam, com o HydrUStent, um dispositivo médico biodegradável destinado a reduzir os índices de infeção e acelerar os tratamentos associados a problemas urológicos. Problemas que obrigam à colocação de um stent e que exigem uma segunda intervenção para o retirar.

Os longos períodos de implantação aumentam o risco de infeção, situação que se torna ainda mais grave quando o stent é ‘esquecido’ no corpo, resultado, muitas vezes, da falta de disponibilidade do urologista e que pode mesmo resultar na perda do rim ou até, eventualmente, na morte do doente.

É aqui que entra o HydrUStent, um stent urológico biodegradável, antibacteriano, que elimina a necessidade de uma segunda cirurgia (qualquer coisa como menos um milhão de cirurgias por ano), evitando várias complicações e reduzindo o custo dos tratamentos.

Em entrevista ao site Dinheiro Vivo, um dos responsáveis pela empresa explica que o hidrogel é o material utilizado para construir estes dispositivos, capaz de se degradar “em duas semanas ou num mês”.

Tudo começou com um projeto de investigação na universidade do Minho, com ligação ao laboratório português 3B’s, (Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos). Em 2016 foram aprovadas as patentes, sendo o passo final, para o qual é necessário mais investimento, o fabrico em série dos cateteres e a validação da ideia em ensaios clínicos.

 

Fonte: https://hydrustent.com/#

Ideias Inovadoras precisam-se

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Chama-se “Elevator Pitch – IdeiasQueMarcam” e é uma iniciativa da Representação da Comissão Europeia em Portugal, que quer premiar projetos e ideias inovadoras. Para isso, oferece não só dinheiro, que serve para dar apoio ao arranque destes projetos, mas também formação, essencial para uma ideia que se quer bem-sucedida.

Não é uma estreia, mas a edição deste ano é diferente das anteriores. São, ao todo, dois os prémios a atribuir, o primeiro no valor de 6.000€, que contempla projetos de base tecnológica e digital em áreas como a indústria 4.0 e e-commerce, cibersegurança e economia de dados europeia, cidades inteligentes e tecnologias de rede, saúde e bem-estar, agricultura inteligente e economia circular, media e cultura digital, sociedade digital e sustentabilidade e a inteligência artificial.

A este junta-se outro, o prémio especial “Democracia Digital”, no valor de 4.000€, que visa destacar projetos de base tecnológica e digital, capazes de promover a capacitação cívica e a participação ativa dos cidadãos na vida democrática.

As candidaturas estão abertas até 25 de março e, entre os dias 6 e 16 também de março, serão realizadas seedcamps, ou seja, sessões compostas por esclarecimento sobre a preparação das candidaturas e formação e mentoria na conceção do modelo de negócio.

A agenda já está definida:

  • 6 de março – Scale Up Porto
  • 7 de março – Startup Braga
  • 8 de março – Instituto Empresarial do Tâmega, em Amarante
  • 14 de março – Universidade de Aveiro
  • 15 de março – Instituto Pedro Nunes, Coimbra
  • 16 de março – Parque de Ciência e Tecnologia, Évora

Depois, caberá ao júri a seleção dos 12 projetos finalistas, que terão acesso a várias ações de formação, nomeadamente ao Bootcamp, onde se pretendem abordar temas de gestão, fundamentais para a capacitação para o empreendedorismo; ao Coaching, que abordará os modelos de negócio e ao Pitch Review, oportunidade para as equipas apresentarem o seu projeto a um júri de feedback, que tem a seu cargo a missão de fazer uma crítica construtiva das apresentações, ajudando a melhorá-las antes das apresentações finais.

Mais informações em www.bolsadoempreendedorismo.pt

Inovação ao serviço dos invisuais: uma bengala, um smartphone e um sistema de visão artificial

 

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O uso de uma bengala não é novidade para os cegos. De resto, este é mesmo um dos equipamentos sem o qual não costumam passar. Mas a bengala que os investigadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) desenvolveram não é igual às outras. É uma bengala eletrónica, desenvolvida de forma a estender a funcionalidade da bengala branca tradicional, adicionando novidades que permitem ao cego interagir com uma aplicação móvel (a aplicação de navegação) e, ao mesmo tempo, ajudar esta aplicação a localizar o utilizador.

O objetivo é, afirmam em comunicado, “aumentar a autonomia dos cegos ou de pessoas com visão reduzida, permitindo a sua inclusão num maior conjunto de atividades e melhorando a sua qualidade de vida”. É desta necessidade identificada que nasce um sistema composto por vários módulos de informação geográfica, visão artificial e a nova bengala, que vai começar a ser testada.  

Esta novidade, que João Barroso, investigador do INESC TEC e docente da UTAD, garante ter um custo “relativamente baixo se compararmos com outras bengalas para cegos que são muito mais limitadas nas suas funcionalidades”, inclui um punho (impressão 3D) que incorpora toda a eletrónica, um leitor de etiquetas de radiofrequência (RFID) e uma antena na ponta, que ajuda a estimar a localização do utilizador, um joystick de cinco direções para fazer o interface com a aplicação móvel, um emissor de sinais sonoros (beep), um atuador háptico (emissão de vibrações com várias durações e frequências), um transmissor Bluetooth (para comunicação com o smartphone) e uma bateria.

Uma ideia reconhecida pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que lhe atribuiu o Prémio Inclusão e Literacia Digital 2015, no valor de 29 mil euros.

Falta a Portugal uma aposta concertada para a inovação

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Que Portugal é já um país de empreendedorismo não há dúvidas. E basta olhar para as notícias que, quase diariamente, dão conta da criação de uma nova empresa, do nascimento de uma nova ideia, de conceitos inovadores, de vontade para empreender. Mas isso pode não ser suficiente. Ou melhor, não é suficiente e a garantia é dada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que, através de um estudo feito a pedido do Governo, olhou para a ciência, inovação e ensino superior nacionais e confirmou a falta de uma estratégia concertada. Tradução disso mesmo são as “medidas inconsistentes” que, ainda de acordo com a mesma fonte, exigem uma solução.

Tendo em conta a falta desta estratégia harmonizada, os peritos da OCDE apontam como caminho a criação de uma Estratégia Nacional para o Conhecimento e a Inovação, que sirva de orientador para as três áreas já referidas: a ciência, a inovação e o ensino superior.

Este plano, que servirá de base para uma “nova geração” de programas operacionais de apoio à competitividade e ao “capital humano”, deverá ter como base uma maior sistematização dos apoios dados pelo Estado a projetos inovadores.

Fonte: Lusa